A pergunta que não se cala: "por que você faz isso?"
Corrida é sempre uma festa, e maratona então é festa de arromba, em todos os sentidos. Cercado de amigos que jamais iria conhecer se não fossem as corridas de rua, partimos para mais um mítico 42km. Dessa vez tendo o prazer de recepcionar na casa de meus pais, o
popstar do vale do Paraíba, Fábio Namiuti. Detalhes da véspera ficam por conta do seu primoroso e detalhista
relato. O único adendo a fazer (olha que ele esqueceu de algo), seria mencionar a canção do Ramones,
somebody put something in my drink, em alusão ao sono profundo do rapaz. Parece que o carboload foi mesmo radical...
Consegui dormir direto até às 3:30, e observando a falta de movimentação no quarto vizinho, tive que recorrer à alvorada, e por pouco, ao uso de técnicas militares. Tudo em ordem, farnel pronto (quem consegue comer algo às 4 da manha?), rumamos ao RJ para encontrar Leo Hacidume e Gian e partir ao distante Recreio dos Bandeirantes para a largada. Satisfação encontrar pela madrugada, ao embarcar no busão, Ivo Cantor e sua esposa Marly. Um ode aqui para Marly, pois acompanhar doideira de corredor pelas cinco da matina, é muito desprendimento e amor mesmo. Será que algum dia Verônica faz isso?? Sei não...
O busão chegava a Campo Grande, quiçá São Paulo, mas o Recreio não chegava. O bordão digno de nota, e que vai para os anais dos registros de corridas de rua, foi a tirada do Leo em relação ao pace a ser adotado. Em homenagem ao falecimento do papai papudo, iríamos no pace de cinco e sessenta, quase seis.
Antes da largada, encontramos muitos amigos. Conheci os Baleias Wu e Ênio, re-encontrei Tinil, Silvio e Miguel Delgado (como sempre chegando atrasado), bom rever a turma de Pernambuco, Júlio, Paulo Picanha, Ésio e as meninas guerreiras. Fotos, conversada fiada e hora de alinhar, pois estamos aqui para correr.
Na muvuca que se forma, finalmente conheci o @colucci, o rei das promoções do twitter, cara gente fina demais e VIP. Satisfação encontrá-lo cara.
Largada pontual, passo no pórtico e o GPS ainda não sincronizado seria um aviso que essa seria melhor correr no estilo for free. Nas palavras do Ivo, esse início seria a volta de apresentação, eram 1,5 km para o lado oposto à barra, voltando a passar pelo pórtico da largada, completando 3km (melhor fazer a volta no início a fazê-la no aterro né)? Nessa volta de apresentação, me ultrapassam Guilherme Maio e os inseparáveis (quase siameses) companheiros e colegas de equipe Wu e Miguel. O segundo já faz gracinha mandando que eu ajuste o parceiro virtual, estava com apetite.
Esse trecho inicial no Recreio é bem monótono (retão), porém bonito demais, com o mar a direita e a reserva na esquerda. Pelo km 10 sou ultrapassado pelo amigo Lino, e como a bexiga estava pesada demais, não deu para acompanhá-lo. Logo após, entrei num dos muitos quiosques para esvaziá-la. Mais leve, espero o Namiuti que estava na cola e seguimos quase juntos rumo à Barra.
Logo ali na frente, no km 12, começa o meu martírio...recebo uma pontada na barriga fatal, do tipo pare agora. Era o number two acumulado da noite anterior dando as caras. Enganei-o momentâneamente, e passado o susto, apertei o passo para aproveitar a trégua, pois o perigo era iminente. No km 15, posto de gel, recebo o de chocolate, olho para o staff e falo: tá de sacanagem né? Me arruma um de banana! No km 18, outra pontada, novamente ludibriada. Conhecedor do meu organismo, se deixasse vir a terceira, seria 'faca na caveira'. Encontro o companheiro de equipe e estreiante nos 42k, Valdomiro, que vinha muito bem e curtindo muito tudo aquilo. Fui com ele até os 21k, emparelhamos com Paulo Picanha, que me dá a visão do paraíso (mais tarde inferno). Ele diz: vejo ali na frente alguns banheiros químicos. Não tinha o que pensar, era entrar. Seta para os boxes para parada emergencial. No primeiro, impossível permanecer! No segundo, idem, no terceiro, veio a idéia genial de entrar num box de mulher (se tivesse papel seria excelente)! Larguei o lastro, e uma alma caridosa havia deixado seu estoque pessoal de papel jogado por ali no chão, foi a salvação. Perdi bons minutos ali.
Retomo bem leve, mas a pretenção de ir a caça do Miguel foi pro saco, era agora curtir para completar bem a prova. Na subida do Joá, entrando no primeiro túnel, encontro novamente o Valdomiro, e em seguida, a Lana Gomes se aproxima de nós, perguntando se somos de BH. Maior coincidência encontrá-la no trecho mais agradável do percurso, na minha opinião. Seguimos juntos até São Conrado e foi muito bom correr na sua companhia Lana.
Novamente encontro o Paulo, e o Namiuti encosta, vamos juntos até a subida da Niemeyer. Bonito de ver como o Japonês encarou-a, não pude seguí-lo pois saberia que ela cobraria o preço lá em baixo...primeira caminhada. Mando um gel que desceu quadrado. Mais um trecho bem apreciado, chega-se a orla do Leblon e Ipanema, mas eu só ficava mapeando banheiros...por sorte, a orla tem quiosques para esses fins, a um real. Vencido Ipanema, no arpoador encontro o fotógrafo Pinguim que tira uma bela foto minha, com a pedra da gávea e o dois irmãos ao fundo. Copacabana é meu algoz, e dessa vez não foi diferente. Caminhei em alguns momentos, respirando fundo, para vencer o mal-estar intestinal novamente. Até que dessa vez, o hotel chegou rápido, faltava muito pouco agora. Mais dois túneis e o aterro estava no papo. Ali, em frente a sede do Botafogo, um anônimo me oferece uma cocada, como diz o brocado: "o que é um peido para quem está cagado"? Mandei a glicose, e imaginava o final apoteótico. Sou ultrapassado pelo Picanha, e vou na sua cola...mais a frente encontramos o Wu caminhando. Como diz Miguel Delgado, como é bom passar por um amigo caminhando...mas dessa vez não o fiz, seria humilhação demais o Wu perder para o Miguel e para mim. Vamos juntos nos dois últimos quilômetros, alternando caminhada e trote. Precisam ver o brilho nos olhos do Picanha quando falei: segue que essa é sua, vou com o Wu.
Ali na frente encontramos Paulo Massa, de bike, rebocando os conhecidos. Valeu pelo apoio grande amigo! Se estivermos juntos em sua estréia, com certeza, retribuiremos a gentileza.
Já visualizamos o pórtico de chegada, a galera grita vai Baleias!! Vamos de cabeça erguida, língua dentro da boca, saudando a todos, como manda o figurino e a técnica do urubu do Ivo. Por falar nele, recebemos um super incentivo dele e da sua esposa na reta final, valeu amigão!
Para fechar o grande baile, a família pertinho da chegada, todos ali vibrando com a chegada, isso não tem coisa melhor. Pego a Júlia, e cruzamos o pórtico juntos como ilustra o vídeo da chegada. Tempo líquido oficial 4:50:56
Sou recepcionado por Yara Achôa, que tira uma linda foto nossa, com o Branca fazendo cara de mal. Até que enfim conheci a Yara pessoalmente, que fez uma linda meia, cravando um RPM sub-2h. Parabéns!! Medalha bonita, kit razoável e organização impecável! Parabéns a Spiridon pela excelente corrida.
Encontro com amigos Baleias, parabenizo o Miguel pelo chocolate, perdi em casa... Wu é sério candidato a virar 'Freguês de Caderno' do Miguel. Três derrotas seguidas dá direito ao título. Picanha empatou o placar. Namiuti e G.Maio também, devolveram a derrota de PoA com estilo, parabéns pela excelente prova amigos.
Respondendo a pergunta inicial, que foi feita pela Verônica, quando voltávamos de carro para Niterói, eu todo doído e ainda dirigindo: "Não sei...um dia, quem sabe,você completa uma maratona, ai tenta me explicar".
E a próxima, quando e onde será??