sexta-feira, 16 de setembro de 2011

LCD é um baita catalisador

Esse post apresenta cenas fortes, implícitas e explícitas de bullying. Melhor não continuar a leitura se possuir um coração sensível.

No encontro Baleias pós-prova em Londrina, nossa Miss Baleias Meire e a nossa Sereia-Baleia Marinês me indagaram como eu conheci Miguel Delgado e entrei para a equipe coral. Foi o único momento da tarde em que consegui ter a licença de Miguel para usar a palavra, por breves instantes.

Aquilo me remeteu a 2009, em São Paulo. Num jantar organizado pela Mayumi na véspera da maratona. Foi ali que conheci o nosso CEO e começou uma grande amizade.

Eu, Mayumi e Guilherme estávamos na sala de espera do restaurante, aguardando a chegada dos amigos, quando entra no restaurante um gordo barbudo, com uma camisa coral chamando a atenção com o desenho de uma baleia, perguntando se ali seria o jantar de Júlio Cordeiro. Ninguém entendeu nada...ficamos esperando. Simpatizei a primeira vista com aquele ser agitado, espalhafatoso e emotivo.

Mais tarde, chega Júlio Cordeiro, na companhia de outro gordo com camisa coral, que se arrastava cheio de dores e com dificuldades para caminhar. Era Paulo Picanha, e tinha acabado de correr a Comrades, e correria a maratona de SP naquelas condições em que se encontrava.

Na sala de espera, quando vejo aqueles dois gordos corais reunidos, pensei: estão de sacanagem comigo? Esses caras não podem correr maratonas! E eu aqui para correr 'apenas' 25km! Fiquei com vergonha de mim mesmo. Sentamos à mesa e o papo fluiu.


Estava distante dos gordos, quase não sai na foto, mas me divertia com as bobagens que o Júlio e eles falavam.

Manju é melhor que bode viu?
Nessa noite, ganhei do Júlio uma camisa da sua equipe, ACORJA, a qual guardo com carinho até hoje, e uso em treinos mais radicais. Portanto, antes de Baleias, fui ACORJA. Nesse tempo, conheci muitos amigos dessa equipe, mas ainda falta conhecer Lula, a Lenda!

A minha frente, sentou Ésio Cursino, também de Recife. A história dele com a maratona me impressionou. Nunca havia corrido antes, e a primeira prova que fez foi a maratona de PoA, na semana anterior. E estava ali em SP para fazer sua segunda maratona! Pouco mais de dois anos se passaram desse encontro e ele já concluiu mais de 40 maratonas. Nunca vi nada parecido nesse meio.

No post que relatei a corrida de 25km, eles deixaram comentários...

Miguel disse:
Caro Ricardo. A gente se encontra no dia 28 de junho na Maratona do Rio de Janeiro. Não demore a estrear na Maratona. O Esio Cursino da Acorja que estava diante de você no encontro em SP provou que não há necessidade de demora. Um grande abraço.

E Ésio:
Olá Ricardo,
Ainda estou de molho, sem treinar. Não fiquei com dores como fiquei na de Porto Alegre mas foi mais dificil, mais cansativa. Quanto a Maratona só é uma questão de decidir e treinar para ela. Para começar tem os longões de 25 a 30 km semanais. Engraçado como escrevo, como se fosse um expert, mas é que a minha primeira prova já foi uma Maratona e para faze-la treinei 50 dias com muita determinação. Neste final de semana pretendo participar da minha primeira prova de 10 km, mas têm o longão de 30 km no sábado. Um Abraço e até a Maratona do Rio.

E assim surgiu uma grande amizade com o gordo das Gerais, e o convite para ingressar em sua simpática equipe veio logo em seguida.

Paulo Picanha esteve presente nas minhas primeiras maratonas, e a disputa com ele é sempre muito boa. Gosto de carne de primeira. Não vejo a hora disso voltar. Enquanto isso não acontece, eu corro atrás dele no ranking do Júlio Cordeiro.

Acompanho com muita euforia Ésio Cursino na busca do seu sub-5 na maratona. Deixo aqui registrado que ele nunca me venceu. Quando isso acontecer eu pago o rodízio e o chopp ao Doutor. E ele está muito perto de ganhar de Miguel Delgado, o qual tem meu, total e irrestrito, apoio e torcida.

Paulo Ricardo Lins (Picanha) , Ésio Cursino, e Miguel Delgado foram meus catalisadores para enfrentar a maratona. Esse trio LCD é FPC. Se eles conseguiram correr uma maratona, eu tinha que conseguir.

E assim como nós conseguimos, você é capaz. Venha para a bela distância e sua vida nunca mais será a mesma.

PS: fotos gentilmente roubadas do blog da Mayumi

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

IV - Maratona de Londrina 2011

Londrina, em sua primeira edição da maratona, conquistou meu coração. Especialmente por ser a primeira maratona nas terras de Silvio (baleia fundador no PR, o bandeirante). Desde que o conheci em PoA 2010, que esse maratona ronda o imaginário Baleias, e com sua consolidação, não havia como ficar de fora.

A cidade me surpreendeu, não a imaginava tão grande e organizada. Fiquei hospedado no QG Baleias local, a residência de Silvio e Nilza, a quem não tenho palavras para agradecer por tanto carinho e pela hospitalidade. Senti-me na extensão de meu lar. Cheguei na sexta a tarde, e de imediato, Silvio ia me apresentando a cidade, passeando pelo percurso da maratona. Ali fiquei sabendo da pedreira que seria após o km 30, e imediatamente liguei para o CEO Baleias, Miguel Delgado, informando que a prova era para Xerpas. A vitória estava no papo. Tanto que a noite, em reunião estratégica com meus empresários Silvio e Júlio Cordeiro, confidenciei que se perdesse para Miguel em Londrina, abandonaria às maratonas e me dedicaria a jogar bocha. Antecipo desde já que continuarei correndo maratonas.

No sábado, fomos ao encontro da baleiada no aeroporto. Antes porém, mostramos a Júlio Cordeiro e Paulo Sampaio o que lhes aguardavam pelo percurso. Por pouco não desistiram de correr... mas a hidratação diferenciada que se submeteram os fizeram acreditar num milagre em Londrina. Teses em performance caíram por terra com nossos amigos apreciadores de gatorade pré-prova. Não obstante as 12h de hidratação, arrebentaram na prova. Como conseguem? É o gene do sertão.

A tarde, partimos todos para almoçar e retirar o kit no shopping catuaí,  tudo sem problemas e bem organizado. Após, fomos ao hotel onde estavam hospedados a maioria para uma pré-confraternização,  e entrega do manto coral para os novos membros Baleias. O gordo quase não gosta disso. O tempo passou que nem lembramos de ir ao congresso técnico.

Vila Nova rumo à 3ª divisão!!
Ali conheci pessoalmente Susi Saito, a menina das 42 asas, ligada sempre em 220v, e também Marli Palugan, de Curitiba. Blogueiros reunidos em todo lugar do mundo. Comentava com Marli essa coisa doida e curiosa, das amizades que ficam consolidadas através dos escritos na Internet relacionados com as corridas de rua.

Galera que gosta de escrever
Ali também ganhei a versão 2.0 personalizada do manto coral. Com direito a apelido e tudo mais estampado. Senti um leve distúrbio enciumado na força kkk. Agradeço à minha advogada baleias, Drª Marayse, pelos préstimos sem cobrança de honorários. Sem sua intervenção, essa camisa não chegaria jamais Marayse! Deixo então a dica para os demais baleias 'ainda despersonalizados'...pronunciem o nome Marayse na frente de Miguel, ele treme nas bases.

Também fui agraciado por Marinês com carboidratos nordestinos que adoro (rapadura e bolo de rolo). Já que Júlio Cordeiro e Gilmar estão em baixa comigo nesse fornecimento, abusei da boa vontade da nossa sereia, e encomendei os mimos. Marinês querida, corremos para comer isso tudo com prazer e sem culpa né não? Muito obrigado e volte sempre. 'Sorry eu' por qualquer coisa rsrs. Deixa eu explicar esse sereia...minha filhota de 4 anos, ao saborear o bolo de rolo, perguntou:

- Onde você comprou isso? Tem mais ?
respondi:
- Foi uma amiga do papai, que mora no Recife, que trouxe para nós.
E ela:
- Recife de coral?
Falei:
- Acho que é, lá tem esse nome por que tem muito recife de coral.
E ela fechou:
- Então ela mora num recife, ela é uma sereia?! (risos e gargalhadas)

Na companhia de Silvio, fomos para casa descansar, após uma tarde agradável de muitas gargalhadas, como de costume quando essa turma se encontra. Jantamos uma lasanha deliciosa feita pela Nilza, aliás, ela merece um parágrafo a parte.

Mulher de raça, guerreira, corajosa. Se não fosse pelo sotaque do sul, diria que é uma autêntica sertaneja, na acepção de Euclides da Cunha. É forte! Enfrentou sua primeira meia maratona sem treinar, e completou com alegria. Tive o prazer de vê-la na proximidades da chegada, perto da prefeitura, vibrante e feliz. Parabéns Nilza! A maratona te espera.

Deitei e pof, apaguei.

Chegamos na largada bem cedo, pois as mulheres largariam primeiro às 6h30. Mais festa, no reencontro com todos.



Para quem pensasse que ele estaria morto e de ressaca, ele responde: E eu bebi ontem?

Júlio Assolan - o fenômeno!
Chegou a nossa hora de largar, muito bom a confraternização na largada, todos desejando boa prova, abraçando e celebrando mais uma largada. Londrina tem satélites? Os GPSs não sincronizavam...mas no fim, tudo dá certo.

Larguei na companhia do meu mais novo guru, Wu, e segui junto com ele. Wu também merece um parágrafo a parte.

Se Ênio japa é o que há de melhor, Wu é o que há de extraordinário. Mergulhei de cabeça no estudo da Doutrina de Wu, e me tornei um iniciado no Wunenismo. Sua doutrina possui por pilares:

- Jamais perder para Miguel Delgado.
- Ler sempre o regulamento, especialmente o tempo máximo da prova, para não ser desclassificado.
- Falar o estritamente necessário. Quando não souber o que falar, diga: "e o que você quer que eu faça?", que poderá ser interpretado como submissão ou sarcasmo.
- Volto para te ajudar depois de cruzar a linha de chegada.
- Cerveja somente após a chegada.
- Em ambiente de falatório, você precisa fechar os olhos e meditar. Se conseguir roncar, entrou em êxtase.
- Tenha sempre um pombo dentro do seu peito.

Como ainda sou um iniciante na doutrina, não posso vencê-lo, pelo menos enquanto não assimilar todos os ensinamentos. Só depois de me tornar um Jedi Wu poderei pensar em vencer o mestre.

Mestre e discípulo

A estratégia era descer a bota até o 21km e depois passear pelas subidas. O percurso da meia é muito bom, com sombras, descidas, algumas subidas e de muita festa. Correr ao redor  do lago é  agradável demais. Ali tive meus 3 segundos de fama. O percurso da meia passa por pontos turísticos da cidade, como a  Universidade de Londrina, lago Igapó, Catedral, Praça Tomi Nakagawa, terminando próximo a praça dos 3 poderes. Nas proximidades da praça dos japas, Susi Saito conseguiu um clic extraordinário. O exato momento em que o Baleia esguicha água. Isso precisa virar marcar registrada na equipe. Grande foto Susi!

Baleia feliz esguicha água

Consegui acompanhar Wu até o 25km, e tivemos por boa parte desse trecho a agradável companhia do Ênio. Depois do 25k, foi cada um por si.

Na subida do km 30 eu comecei a passear. A partir dali, era caminhar em todas as subidas. Andei descaradamente. Por volta do km 32, um morador com uma mangueira d´água suavizava a rapaziada. Quando cheguei para refrescar o radiador ele me pergunta: Tem uma baleiada danada aqui hoje hein, vocês são de Londrina? Parafraseando Miguel Delgado, respondi: "Obrigado pela oportunidade", Baleias são do universo, estamos em todo lugar, ainda que não identificados. Conhece Tabira, sertão do PE? Estamos lá também. Agradeci e segui rumo ao jardim botânico.

Enquanto desço a ladeira, Paulo Sampaio e Walter já sobem. Sabia que ali seria desgastante demais. Tome caminhada. Chegamos então à ossada final. Aquela ladeira do km 38/39 foi para fechar com chave de ouro. Ali era meu km para correr para a Susi. Tentei, mas faltou ânimo. Fiz ele todinho caminhando e agradecendo a Deus por estar ali, quase fechando mais uma maratona. Parei no último posto de hidratação, e à Paulo Picanha, me servi com tudo que tinha direito. A staff pergunta: água, gatorade, coca-cola, bolacha ? E eu respondo, tudo! Faltou só uma cadeira para ficar mais a vontade. Refeito da subida, chegamos ao ápice do percurso, o chafariz, que estava desligado! Dali já via a chegada lá embaixo e as vozes...mas ainda faltavam 2km. Passa rápido.

Uma descida forte, e podem acreditar, caminhei na descida! Por receio mesmo de machucar. Nesse hora a prudência falou mais alto. Sabia que tinha a derradeira subida. PQP! Eu gosto! mas exageraram! Na última, sou ultrapassado pelo lobo do mar, o marujo, o de azul na foto abaixo. Saudei-o pela disposição e entramos no estacionamento do shopping.


Ali era só festejar...Silvio foi feliz no clic, pegou o momento da celebração. 2 X 1. O gordo não me pega nunca mais.

4h50m líquidos. Pelo passeio que foi, está excelente.


Festa Baleias na chegada!

Esse é irmão, FPC.
Baleias do PR com intrusos

E esperar o CEO chegar.

Eu amo muito tudo isso!
A organização foi primorosa! Para uma primeira maratona, já nasceu grande! Parabéns a FEL e todos os envolvidos direta e indiretamente. Vocês mostraram para o Brasil que é possível. Basta ter vontade. Todos precisam aprender a organizar provas com vocês. Com um preço justo, conseguiram realizar uma prova linda. Nós nos satisfazemos como muito pouco. Não pode faltar água e garantir a segurança no percurso. Vocês foram muito além! Médicos correndo no percurso, o auxílio das bikes, o abastecimento perfeito a cada 3km, o trânsito fechado, motoristas respeitando, população participando, enfim, uma festa!! Parabéns Londrina. Maratona de gente grande. Susi, muito obrigado por tudo minha amiga. Parabéns! Ano que vem, se prepare, pois a invasão Baleias será gigante. Londrina vai ser coral.

Para Silvio, Nilza, Laurinha e João Pedro, além de toda sua família, muito obrigado por tudo que me proporcionaram nesses dias inesquecíveis na sua pequena Londres, fazendo do seu lar uma extensão do meu, deixo a vocês a mensagem abaixo:


Dizem até breve.

PS: Fotos roubadas de diversas fontes, podem me processar que Marayse me garante.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Ode aos superlativos

Salve o agregado José Dias, aquele que amava os superlativos.

Eu superlativei a série de montanhas I-IV, colocando agora mais um pedaço, o trecho V. O que era difícil ficou DIFICÍLIMO!

O trecho V possui 900m de extensão e começa exatamente na porteira da IV, terminando na segunda porteira, a da casa do bambuzal.

Altimetria I-V
O novo trecho (V) tem por madrinha nossa também aprendiz de xerpa Baleias, Elis. Não poderia fazer feio no batismo da rota, e estreiei a subida da V todinha correndo, é casca grossa demais.O que para muitos é sofrimento (as subidas), para nós é puro prazer.

Não darei detalhes, para instigar a madrinha a conhecer seu pedaço no meu morro. Só adianto que nele tem o rio do canto das sereias, a mata fechada com barulhos e rastros de passadas de onça, os pássaros do Gilmar cantando em revoada, e, para fechar em grande estilo, o monstro de Lost.


Xará, NY é pintinho ali.
G.M, é aqui que vou te levar para chorar de verdade com a blusa do botafogo. Isso não é 'simulados de subida'. Apareça
Drica, é por ali o caminho da felicidade. Anima a turma!
Madrinha do trecho, eu fiz de propósito. Te aguardo.

Quem quiser se aventurar, será recepcionado com louros nessa 'natureza selvagem'.

PS: O morro não acaba, vai muito além da V.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

39 para agradecer

A Mayumi custa a aparecer, mas sempre que o faz, deixa sua marca.

O Branca é o seu treinador. O cara é um show à parte. Além da sua competência como treinador, é de uma simpatia incrível, praticamente um Baleia, diria eu.

Na última maratona do RJ, ao sair do túnel do joá, eis que me deparo com o grande treinador. Acionei a Mayumi logo em seguida, e ela me mandou o histórico da conversa com o Branca:

"O Ricardo Hoffmann, um carioca que disse que encontrou vc na saída do túnel do Joá na maratona do Rio, pede a foto que vc tirou dele. Ele estava com uma camiseta laranja dos Baleias e o número de peito dele é 3939. Disse que quer postar a foto no blog dele e te agradecer. Olha o que ele escreveu:"

"Mayumi, descola uma foto com o Branca pra mim. Ele tirou na maratona do RJ. Na saída do túnel do joá, eu o vi, e gritei Braaaaancaaaaaa. Ele veio, me deu um abraço, desejou boa chegada! (estava longe pra cacete da chegada!) e tirou uma foto. E eu mandei um abraço pra você por ele, que não deve ter chegado. O cara é de outro mundo! Vi ele prestando socorro a alguns corredores, que nem eram de sua equipe. E eu filei uma coca-cola.".

Mayumi disse que o meu número de peito era de agradecimento. Eu estava falando "obrigado obrigado" ao Branca. Não entendi bufulhas, e solicitei que ela desenvolvesse o tema... vai Mayumi, desempelota esse angú.

A aula do 3939:
Os japoneses leem os algarismos 3 e 9 como "san" e "kyuu", respectivamente. E quando leem juntos, dizem "san-kyuu". Em inglês, para agradecer, dizemos "thank you". E os japoneses aproveitam a pronúncia do 3 e do 9 em japonês para dizer "san-kyuu" (39), ou seja "thank you" em inglês  ajaponesado!

Pelo visto, o número de peito estava agradecendo o Branca: 3939 (san-kyuu, san-kyuu).


Crédito: Branca

Branca, 39 por tudo!

Em tempo, consegui com a Spiridon o certificado da maratona


39 Spiridon!

E agora, quando eu responder 39, vocês já sabem o que isso quer dizer. Valeu Mayumi! 39!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

No éter ou no baú?

O assunto estava no éter.

O Jorge falou dele na semana passada, no seu post que reproduzo abaixo.

Quando comecei a correr fiz algumas pesquisas e descobri vários blogs e foruns de corredores, sempre procurei informações quanto a provas, nutrição, treinos, etc...nestes espaços, de quebra ainda sou agraciado com amizades de pessoas que são "seres humanos em extinção", tenho aprendido muito.

Tenho visitado blogs (raras exceções) e foruns onde impera a disputa de egos e vaidades, onde o prazer de correr se tornou apenas uma marca a ser alcançada, onde os donos da verdades ditam regras do que é certo ou errado, onde são definidos por exemplo quem pode ou não ser considerado um maratonista, se determinado pace é considerado bom ou não...

Corro pelo prazer de correr, resultados acontecem naturalmente, eles são frutos de treinos, de dedicação, resultados jamais podem no meu entender superar a alegria de estar ali na largada participando de uma prova.

Não sou um profissional das corridas, busco qualidade de vida, saúde, quero ainda correr por muitos anos, quero ainda sorrir por muitas vezes na hora da largada, na chegada, aquele sorriso que não se explica, que só quem corre por prazer é capaz de entender.

Caros "grandes corredores" preocupem-se mais com os benefícios do esporte, esqueçam um pouco das marcas, dos recordes pessoais, correr é muito mais que números e planilhas. 

Existem pérolas escritas nos blogs dos amigos, que não paramos para ler. Os posts antigos, muitos dos quais foram escritos antes mesmo de iniciarmos nossas atividades, guardam valiosos segredos. 

Um que eu sempre volto a ler e a indicar para amigos, foi escrito pelo Marildo. Ele nem sabe que foi por  causa desse artigo que batizei esse blog de runforfree. Segue o artigo do padrinho, de 21/03/08...no dia 25/03, começaria a escrever por aqui...

Desabafo de um esforçado, desmotivado e talvez um pouco estressado!

Pessoal hoje acordei com muita vontade de expressar meus pensamentos... Sabe depois de fazer umas visitas em Blogs de amigos amadores e de corredores profissionais, maratonistas e ultra maratonistas me veio a inspiração de escrever esse texto que espero sirva de reflexão para aqueles que freqüentam esse espaço.

Desde 2003, venho praticando com algumas pequenas interrupções corrida de rua. Algumas vezes me cobrei muito e me dediquei em excesso, outras vezes relaxei e cumpri apenas o papel de atleta esforçado e fui para a luta somente com a garra que possuo. Entretanto, me preocupa muito o fato de que ao escolher esse esporte tive como base o fato de que seria algo muito bom para que eu pudesse obter melhor condições de saúde e ainda que o esporte servisse como um escape para a vida estressada que levo no dia a dia e de repente me vejo num rodamoinho de loucuras onde a cobrança por resultados e performance passaram a me estressar mais do que o meu trabalho.

Existe no meio de pessoas que se dedicam a esse esporte uma competitividade que na maioria das vezes não é saudável e que por vezes afasta aqueles que como eu somente querem utilizar do esporte como um instrumento de diversão.

Sei que vou ser criticado por muitos, mas antes de tudo quero levantar essa bandeira de que alguns de nós para sermos atletas teríamos de nascer de novo e de preferência no Quênia... Como isso não me parece possível resta-nos apenas a prática sem muita preocupação e cobrança.

Vale a pena ser FELIZ! Isso eu posso garantir a todos! O exercício inclusive facilita essa sensação, pois produz em nosso corpo inúmeras substâncias que nos levam a euforia e ao contentamento. PRATIQUE A CORRIDA PARA SER FELIZ!

Fico chateado quando vejo amigos fazendo criticas ou mesmo exigindo postura e aprendizado daqueles que hoje participam de provas de ruas e chego à conclusão que talvez tudo esteja errado no que se refere a comportamento. Sonho com a participação de quem quer que seja (gordo ou magro), de qualquer forma (deficiente ou não), mas sempre visando à amizade e o apoio. Afinal nesses cinco anos que corro, já vi muita gente chegar, correr muito, falar muito e desaparecer... Já vi amigos serem operados e o sacrifício que foi ou esta sendo a recuperação por motivo de contusões... Queria que isso não acontecesse, afinal não somos atletas, apenas sonhamos ser. Talvez o bom senso tenha faltado para alguns ou mesmo a ausência de um alerta feito por algum amigo!

Parece-me que aquele bate papo social antes e depois da corrida vale muito mais que os tempos marcados nos cronômetros. Aquela churrascada de fim de ano então nem se fala... Já corri 10 km em 1h e 07m e também já corri em 50m e posso garantir a vocês de que a sensação da chegada foi à mesma. Orgulho de mim mesmo por ter conseguido a proeza de fazer algo que sei não é fácil para um cara como eu, com 50 anos, que trabalha com auditoria em outra cidade (moro em Santos e trabalho em São Paulo) e que por isso tem de viajar todo dia e apenas busca naqueles momentos de competição, lazer, confraternização com a família e com amigos. 

Atualmente ando refletindo muito sobre isso e acabei um pouco desmotivado para os treinos. Sei que preciso voltar, pois meu corpo já começa a reclamar e provavelmente meus problemas de triglicérides e colesterol vão dar as caras outra vez caso continue assim... Meio que sedentário e preguiçoso... Mas acho que depois desse desabafo, vou conseguir!

Vou continuar apoiando meus amigos de corrida de rua e de net a serem antes de tudo FELIZES e usarem do esporte apenas como um instrumento para ampliar nossa corrente de relacionamentos, participando inclusive de nossa Equipe “Matungo, Pangaré e Amigos” com o compromisso de estarmos sempre juntos quando possível... Isso sim é que é importante!

Um grande abraço a todos!

Marildo

Boas reflexões a todos.
Isso explica o porquê dos Baleias serem tão especiais. Salve!

terça-feira, 26 de julho de 2011

Capitu é Baleias

Como assim? Dissimulada, mau caráter, adúltera...isso não é Baleias.

Tudo o que sabemos sobre Capitu é contado pela ótica do seu ex-marido, o Dr. Bento Santiago, na Obra Dom Casmurro, de Machado de Assis.

Mas em todo julgamento, é preciso ouvir ambas as partes. Capitu vem de além-túmulo, através de Domício Proença Filho, narrar suas memórias póstumas. Com o livro: "Capitu Memórias Póstumas", o autor faz uma nova leitura da obra prima de Machado de Assis, dessa vez tendo Capitu como narradora. É obra prima também! Será mesmo que ela traiu o marido com o melhor amigo? Leiam a sua versão dos fatos.


Só um profundo conhecedor do universo de Machado de Assis poderia por termo a esse mistério e dissecar com propriedade a personalidade perturbada de Bentinho. Vejam uma entrevista dele aqui no pograma do Jô, e uma outra também aqui.  Eu li Dom Casmurro para o vestibular, e tive que relê-lo para recordar e também compreender a versão dos fatos de Capitu. Recomendo ler ou reler Dom Casmurro antes de Capitu.

* * *

Como viajo pouco, minha maneira de fazer a literatura correr no projeto Baleias é enviando os livros diretamente aos amigos através dos correios. Deixarei a dica para o envio ficar barato, faço isso há anos.  

Ao mandarem livros pelos correios, digam no guichê que querem enviar na modalidade IMPRESSO, e peçam o registro módico. O impresso é o melhor serviço (mais barato) para enviar livros, fica bem em conta, porém esse serviço não possui rastreamento pelo site dos correios. O registro módico é exatamente para o rastreio, e custa muito pouco também .

Eu consegui esse livro no site trocandolivros. Recomendo quem não conhece, trocar seus livros por ali, tem muita coisa boa. E no estantevirtual também tem ele para vender.

Capitu chegará em breve nas mão de Elis, e depois seguirá para Miguel Delgado, e daí para o mundo. Já está com a super etiqueta do projeto. Acho pouco provável que o nosso imortal (Ivo Cantor) da Academia Baleias de Letras não conheça essa obra, pois o Ivo é do ramo. Miguel, se o nosso número 1 da ABL não tiver lido, manda pra ele.

* * *

Depois me digam se Capitu não era uma autêntica Baleias.

Por fim, assim como Machado de Assis fazia, adiando sempre o clímax de um capítulo para o capítulo seguinte, deixarei para um outro post o por quê de Miguel Gordo Delgado me chamar de Dom Casmurro. 

Boas Leituras! E coloquem livros para correr.

sábado, 23 de julho de 2011

Treinamento para Xerpa - Episódio III: Batemos na trave

Para os que não conhecem esse desafio, deem uma lida no Ep. I e no Ep. II.

Depois de quase um ano do início dessa aventura, nada como retomá-la. O Xerpa genuíno, monta acampamento no meio da escalada, e segue no dia seguinte, a partir do ponto parado. Nós, Xerpas made in Taiwan, começamos do zero a cada nova aventura, e isso é muito mais desgastante, não obstante muito mais prazeroso.

Com meu sogro ainda não totalmente recuperado para às corridas, convideio-o para uma caminhada despretenciosa. Na verdade, eu queria companhia para chegar em um ponto da trilha chamada 'casa do bambuzal'. Já cheguei perto da casa algumas vezes, mas a mata fechada e barulhos estranhos de onça caminhando, me fizeram ter medo de seguir por ali sozinho doutras vezes. Ele aceitou.

Saímos por volta das 14h, jeito de chuva, e a prudência não recomendava entrar em trilha naquelas condições. Mas somos imprudentes e também 100 juízo honorário.

Levei a máquina, mas por algum motivo ela não quis tirar fotos. Quando digo que ali é assombrado, ninguém acredita. Chegamos na primeira porteira (final do trecho IV) com 1h10 de caminhada, e na casa do bambuzal com 1h25. Para minha surpresa, um novo marco foi ali fincado, pois na casa do bambuzal existe uma segunda porteira na estrada. E até ela, a corrida é plausível (pouco abaixo do km 8).


Decidimos ir a frente, conhecendo um pouco mais da mata, rumo a rampa de voo livre. Dali em diante, é alternar corrida e caminhada. O visual é de deslumbrar! Pena mesmo a máquina não registrar. Num determinado ponto, havia uma bifurcação que tínhamos que decidir por onde rumar. Nosso norte eram os pneus de motos, que fazem trilha na região, e optamos por ir com eles. Infelizmente, eles nos levaram para muito abaixo da rampa. Então já sabemos para onde ir da próxima vez!

Por mais que eu tente descrever e mostrar por imagens essa aventura, tudo isso será um pálido reflexo do que vivemos e sentimos para chegar nesse cume. Ele está muito próximo! Não o vimos pelas condições climáticas, mas o ponto onde saímos da trilha é do nosso conhecimento, no bairro da serra do sambê. É o tal trecho pavimentado que leva à rampa de voo, mas ainda tem que subir um bocado a partir dali.

Vejamos o que nos espera o outro caminho da bifurcação, dessa vez com a máquina funcionando.

Não vamos errar muito na altimetria, meu chute inicial era de 700m, e devo errar por pouco, espero.

Aguardem o próximo episódio, Oxalá ele seja a conquista do morro.