quinta-feira, 10 de maio de 2012

K21 Arraial do Cabo 2012

A adversidade tem o efeito de despertar talentos que, em circunstâncias prósperas, teriam continuados adormecidos (Horácio)

Que prova!! Busco sem sucesso uma definição para o que foi essa K21. Aliás, para o que foi esse final de semana, na companhia de pessoas tão especiais.

Foi dura demais a prova, mas era isso que queria. Búzios estava entalada na garganta, e aprendi com ela que provas de aventura é correr para chegar, para cruzar a linha...sem tempo, sem adversários, é briga sua, contigo mesmo, com os seus limites e pensamentos. E essa foi boa demais, tanto que ainda estou de ressaca. Arrisco dizer que foi a primeira meia  que fiz com status de inteira.





Até corri com a máquina fotográfica, e disse a mim mesmo que toda a vez que falasse como a Clara, filha da Lana "Nóóóóó!! Bom dimais!" Tiraria uma foto. Poderia ser para  as dificuldades ou para as belezas do percurso a interjeição. No entanto, em menos de 1km de prova, pude constatar que se continuasse com essa estratégia, iria ficar só fotografando, e não correria nada.


Vencidos os 500m de areia fofa da largada, paramos em fila indiana para subir a primeira trilha do percurso. Ali engarrafou geral, e é impressionante como as pessoas são afoitas e mal educadas...parecem que vão ganhar a corrida. Ficamos ali parados, contemplando tudo por um bom período de tempo. O suor escorrendo, fui limpar as vistas, esquecendo completamente que as mãos estavam com vestígios de salompas...ardeu muito, e dali em diante, me senti o Saramago no seu ensaio sobre a cegueira. Em muitos trechos, tive que fechar os olhos e ir no escuro, e em todos os postos de hidratação, refrescava as vistas. Foi daí que veio a citação de Horácio. Agradeço muito a Elis o suporte até onde foi possível. Ela foi uma grande mãe.


Falar do percurso é cair em lugar comum. Então vamos falar de ser Baleias. Essa camisa chama a atenção e você não passa despercebido de forma alguma. Quantos não me perguntavam se o Miguel estava na prova. Uma moça do Paraná perguntou se eu era de Curitiba, pois afirmava que essa equipe era de lá! Japa, Vini, e-zilda e Valdeci fazem sucesso! Assim como em Londrina, agradeci a ela a oportunidade, e, uma vez mais, disse que somos do Universo. Óbvio que não deixei de perguntar se ela conhecia Tabira, pois temos Baleias lá!!. Júlio Cordeiro, acho que já mereço um título de cidadão Tabirense, fala com Dedé Monteiro. Tabira já entra no google maps com nossa divulgação.


Correr desviando de muitas poças, ver a galera mais rápida já retornando, descer numa pirambeira que dá acesso a uma praia maravilhosa (prainhas), correr numa areia que parece ser feita de sal, subir a piramba que havia descido e parar lá em cima para beber água e lavar os olhos, e ser filmado mortão por um repórter, e ainda dizer a ele, não dá para sorrir!! E ouvir da Elis, "mas está bom demais"!! Não tem preço. E isso com apenas 6km de prova.


Levo um tombo de cinema na trilha que dá acesso a praia dos anjos (km 8-9), até hoje não entendo como o braço não quebrou, e a gente ri das nossas limitações, é engraçado. Ali eu tive que tirar uma foto. Chegamos na praia dos anjos, local da transição das duplas, metade do caminho infelizmente já foi, tomo isotônico à Paulo Picanha e aproveito Elis para mais uma lavada nas vistas.


Após vencer o trecho mais duro até então, a subida da escadaria da praia dos anjos e o morrão sem fim que vinha em seguida (km 11-12), sou surpreendido por uma mulher fazendo uma pregação sozinha no meio do mato. E não é que ela disse que se tivesse fé diria para o morro para ele sair e ele sairia...naquele momento, estava sem fé e forças, tive que enfrentar o morro mesmo.


Ficava só pensando, e o meu amigo imperador Claudio 'Lucius' Dundes, ele vai passar mal quando passar por aqui, o cara veio para cá sem treinar nada!! Eu esqueci que o cara era gordo, e os gordos são fortes!


Chegamos na prainha, o trecho FPC. Para chegar  nela, passar pelo costão de pedras com o mar abaixo de você, correr naquela praia linda, e depois se acabar subindo o morro das antenas. É muito sofrimento do bão!!


Contorna-se um lago (eu esperava ter que atravessá-lo!, mas infelizmente não foi preciso), e volta-se para trilhas, até chegar a um trecho pseudo-urbano, onde uns motoristas estavam impacientes...como sempre faço nessas ocasiões, dei tchauzinhos e beijinhos para a rapaziada, hoje eles tinham que esperar, para entrar então na extinta fábrica da Álcalis, e dali saber que o fim estava próximo. Do alto já avistava a praia grande, e isso dá um gás para buscar forças do fundo do pote. O último km praticamente na areia fofa da praia, mas com a agitação da torcida, passa rápido demais. Fui olhando para o mar e agradecendo a Deus pela oportunidade de viver tudo aquilo.


Chego e sou recebido pela mãezona, preocupada com minha vista. Pego a medalha e vamos direto no posto médico, precisava lavar muito bem aquele estrago que fiz nos olhos. 


Ficamos vendo todos chegarem, esperando a chegada do imperador e da Ivana, que foi a coisa mais emocionante que já vi...fomos todos lá na areia buscá-los e chegamos juntos, com honras militares. O gordão foi mais celebrado que o primeiro colocado! Essa turma não existe!


Enquanto essa prova existir, eu estarei nela!! Queria ver o back-to-back, invertendo o percurso, "nóóóóóó, bom dimais!!"























Homenagem a Ivo Cantor - Urubu Malandro, com postura e língua pra dentro












Ficaram noivos na prova!! E vão casar na maratona de PoA!




Finalizo o relato trazendo o TopDez do final de semana super incrível, não necessariamente em ordem cronológica ou de importância...(Gilmar, minha memória 'Rã' já não é mais um sapo, me dê um moleskine de presente para guardar essas coisas?)

1. Ser acordado pela chegada triunfal de Claudio Lucius ao apartamento, às 2h da manhã, no dia da corrida, ficar conversando alto com ele até 3h30, e depois não conseguir dormir mais e ainda ter de ouvir sua performance como Spalla.

2. Ver Elis enfrentando as ondas e curtindo a aula de como pegar um jacaré. Quem diria que ela tinha medo de mar tempos atrás?

3. Lana é psicóloga por natureza, e saber da dica que ela deu para uma senhora simpática que conheceu na praia (naquele momento), de 70 anos, para acabar com as dores (essa foi o Oscar!!), isso fez Elis não ter onde enfiar a cara.

4. A zona que foi aquele passeio no trenzinho, e a super performance do marrento homem aranha (o melhor do universo) ao som de Juninho Bill.

5. A desenvoltura de Tadeu no fogão, depois de encarar um pote de 500ml de vaselina do gordo exagerado. Lana diz que faz escondidinho de carne de sol (ficou devendo). Não creio, terá que provar!! Para mim, é Tadeu o cozinheiro da casa. Mandou muito bem no almoço meu camarada! Contratado para sempre.

6. Derrubar um potão de 400ml de açaí na companhia de Dundes, depois de comer muita picanha, e ainda aferir que o gordo emagreceu pelo menos 4kg nessa orgia toda.

7. Assistir uma cena erótica na sorveteria do China, enquanto esperava o açaí,  e ainda levar um esporro do mesmo dizendo que aquilo era um clipe do pink floyd.

8. Ver a cara de surpresa de Lana, ao blefar, chamando dois loucos para um banho de mar às 7 da manhã. Crente que íamos dizer não!! Teve que ir!! E foi bom demais.

9. Matar as saudades das minhas pequenas, brincando com as pequenas alheias, Dodo e Sofia, até cangutão eu fiz com Sosso, e ambas me fizeram de prancha nas ondas.

10. Saber que não demora, temos isso tudo de novo!! Friburgo!!!! E antes ainda, Rio de Janeiro!! nóóóóóóóóó

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Últimas palavras de um amigo


"É quando seus amigos te surpreendem
Deixando a vida de repente
E não se quer acreditar...
Mas essa vida é passageira
Chorar eu sei que é besteira
Mas meu amigo!
Não dá prá segurar..."
(Vida Passageira - IRA!)
Perdi um grande amigo.
Tantas aventuras, confidências e bons momentos.
Mas foi-se feliz, fazendo o que gosta, correndo no meio do mato, debaixo de um temporal.
Sucumbiu por não saber nadar.
Pobre da pochete, está em depressão, por ter deixado a água da chuva entrar, matando por afogamento meu celular .
Antes de partir, mandou a foto abaixo para Elis em tempo real, dizendo que estava feliz por estar ali.

Eternizou mais uma cachoeira...



De dentro de uma bodega, tenta sem sucesso contato com a Sereia...mas a modernidade das ondas eletro-magnéticas não haviam chegado ao meio do mato.
Vai em paz amigo, obrigado por tudo.
PS: Estou provisoriamente sem TIM (o amigão ainda era dual chip!)  

quinta-feira, 19 de abril de 2012

PPTO

Foi uma semana atípica. Sem nenhuma atividade física, porém, repleto de boas lembranças. 

Motivos profissionais me levaram a um treinamento de uma semana na distante e engarrafada Barra da Tijuca. Só carbo-load, tranqueiras em cofee-break, e a primeira das treze semanas de treinamento do IG para a maratona foi para o saco.

Na volta diária para o centro da cidade, passava de ônibus pela segunda metade do percurso da maratona. Era o refrigério...o treino era mental.

Elevado do Joá, que dá acesso ao primeiro túnel da prova...foi ali naquela subida que conheci Lana em 2010 e com ela segui até São Conrado. Foi nesse primeiro túnel, em 2011, que pela primeira (e única) vez na história, ultrapassei Meire, e vi que ganharia dela, pois ela fazia caridade com o bonitão. Ali, recebi dela a dica de outro...levitação! Corra até não mais sentir seus pés no chão.

Saindo do túnel, a bela vista de São Conrado, a subida da Niemeyer ao fundo. Me lembrei do Branca, e o 39 da Mayumi. Em seguida, o segundo túnel...o túnel da Light...sempre uma surpresa dentro dele...o que virá nesse ano??

Praia de São Conrado (ali a blue line da meia da yescom nos acompanha até o aterro), Niemeyer, Vidigal e uma deliciosa descida, chegando ao Leblon...pensava comigo...queria estar fazendo isso correndo. Passo por Ipanema, viro no Arpoador, chego no forte de Copacabana...e ali não tem jeito...sempre olho para o hotel Windsor, ele está longe!! É nele que saímos da brisa da orla rumo ao caldeirão do aterro.

Av. Princesa Isabel, mais um túnel, Shopping Rio Sul, General Severiano (casa de Guilherme Maio, o botafoguense), último túnel (são 4, e ainda ali o povo ainda tem força para continuar gritando dentro dele), praia de botafogo...olhe para a direita, o pão de açúcar te saúda... olhe para trás, o cristo te abençoa. E enfim, o Aterro...a linha de chegada, a glória da vitória.

De segunda a quinta, essa foi a rotina...mas na sexta...ahhh, a sexta...no cronograma do curso, ele terminaria às 12h. Perfeito!!!! Levei apenas mochila de hidratação nesse dia. Queria sair da barra correndo até o centro, mas seria perigoso demais passar pelo elevado e Niemeyer com trânsito liberado...ali não existe acostamento...me contentei em descer do ônibus no início do Leblon, e dali fui correndo até o centro...no sol das 13h. Uma delícia!! Parecia pinto no lixo.

Ao chegar no forte de Copacabana, ligo para Elis...Alô madame, em 30 minutos estarei passando pertinho de  sua casa, tô vindo correndo do Leblon e vou até o centro da cidade...o sol está maravilhosamente quente, me acompanha?? Já sabia que ela estaria me esperando...Elis é PPTO, ela dificilmente diria não.

E dali, seguimos juntos até o aeroporto Santos Dumont, rindo, contando casos, uma diversão só. Seguem umas fotos...




Photoshop é tudo!! Estou mais gordo que Ronaldo! Olha o detalhe do vapor que sai da placa.



Memê parado não vale, mas esse está com o uniforme completo!

Sente a cor do negão pensador.

PS1: Antes que me perguntem, PPTO é pau pra toda obra.
PS2: Estarei novamente na barra semana que vem....prepare-se para um telefonema.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Duathlon improvisado

Domingo participei do WorldBikeTour no Rio de Janeiro. Fui um dos 6000 sorteados dentre os mais de 50 mil que se inscreveram para participar do evento. A inscrição de 200 pratas, além do kit bacana com mochila de hidratação e capacete, lhe dava também a bicicleta para voltar pra casa pedalando. E não é que o camelo vale muito mais que o valor pago?



Parei o carro estrategicamente na Urca, e fui na companhia da Elis, correndo dali até Copacabana, local da largada do passeio. Após uma fila interminável para entrar na área das bicicletas, partimos em direção ao monumento dos Pracinhas, ponto final do passeio.

Pedalar nesse percurso é covardia.








Ali no monumento dos Pracinhas, encontrei a Elis e voltamos para a Urca, ela correndo, eu pedalando. E fechei o duathlon na companhia da carioquíssima Elis, fazendo a trilha do morro da Urca, chegando ao bondinho.


Foi um daqueles dias mágicos, de lavar a alma.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Dois ditados

Da sabedoria popular:

1. Uma imagem vale mais do que mil palavras;

2. Para o bom entendedor, meia palavra basta.


E a palavra é: Marayse!!!!

Personalizada, por favor.

domingo, 4 de março de 2012

Novas possibilidades

Mesmos ares, mas novas possibilidades nesse final de semana. Treinar nas montanhas é a minha praia. O objetivo de hoje era descobrir alternativas pré-V. Sempre passo por aquela entrada, e nunca tive a curiosidade de ver o que tinha pela frente. 

Antes de chegar ali, uma bom indício, andorinhas nos fios. Tinha tempo que elas não apareciam (elas estampam uma das fotos de abertura do blog). Era o momento de homegear Gilmar, o homem das aves.





E também apareceram os Lírios dos campos, trazendo seu aroma. Elis não deu sorte quando esteve aqui no carnaval, não sentiu o cheiro.



Lembro dela ter perguntado que frutas eram essas...isso é tomate cereja, a salada fica uma beleza com eles. Servidos? (em tempo, conforme muito bem lembrado pelo Felipe de Souto nos comentários, esse é mata-cavalo, e não cereja...acho bom não comer isso rs).


E eis que chegou a hora de conhecer novas aventuras. Pela direita, continua a subida da V, pela esquerda, as novidades.

O caminho é bem mais fechado, e os sons da natureza são mais intensos.




A começar pelos zumbidos de abelhas. Pensei estar numa prova de F1. Os zangões, ou mangangabas ou sei-lá-o-que passavam em razante, como a dizer, esse canto é meu, caia fora. Ignorei, e segui a frente, com uma comissão deles me seguindo.




 Ao olhar para trás, deu para entender que estava alto. A cidade está quase invisível, no final da foto.


 E como não poderia deixar de ser, homegear também Felipe de Souto, pois algum ser vivo deixou seu rastro no caminho.


Não tenho dúvidas, esse será um ótimo campo de treinamento para as aventuras off-road desse ano.


E uma nova porteira é descoberta. Não entrei por ela, pois nesse ponto, 3 caminhos são possíveis. Logo, 3 novas aventuras!



Optei pela direita, pois o fim do treino estava próximo. Logo a frente, teria um trecho de descida, e como estava com a distância equivalente ao final da subida V, optei por voltar. Essa nova descoberta coloca a V no chinelo.


Mais lírios, e um riacho de sangue.



Hora de voltar.


Nas montanhas não existe relógio. Quando no plano você percorria 15km em 2h20m?

Eu sabia que aquela abelhada tinha uma razão de ser. No passado eu lembro de ter comprado um mel ali na casa da água. Aproveitei e encomendei um litro. Na conversa que tive ali, fui informado que existe uma  cachoeira bem perto do final da V. Elis, você não ouviu o som dela!?? Vou checar isso na semana que vem.

Para quem não conhece, isso é Rio Bonito, interior do RJ, muito prazer.